“A campanha mostrou Flávio Dino como ele realmente é,” diz marqueteiro

12/10/2014 | 7 Comentários

Coberlinni conduziu as duas campanhas de governador de Flávio Dino.

Coberlinni conduziu as duas campanhas de governador de Flávio Dino.

Trabalhando com Flávio Dino desde as eleições de 2010, o cientista político Juliano Corbellini concede entrevista para fazer um saldo das eleições que levaram à vitória de Flávio Dino com 63,52% dos votos maranhenses.

Doutor em Ciência Política, Corbellini acredita que a classe política tradicional do Maranhão não entendeu que a evolução da opinião crítica da população. E detalha os principais momentos que levaram ao fim do tabu de que os “Leões” do Palácio sempre vencem as eleições. Dino venceu a disputa sem apoio dos governos Estadual e Federal, numa ampla aliança que uniu as oposições no estado.

Você participou das campanhas de 2010 e 2014 no Maranhão. O que demarcou a diferença entre as duas?

A vitória de Flávio Dino foi construída em 2010. Naquela eleição, ele se firmou como o novo líder da oposição no Maranhão a partir de um novo discurso. Ao invés de ter a “libertação do Estado” como centro da mensagem, chamamos a atenção para o paradoxo entre o Estado rico e o povo pobre. Um discurso otimista sobre o Estado e uma nova visão de futuro. Sabíamos que existiam eleitores fora da polarização “Sarney x Anti-Sarney”, que se preocupavam com o futuro e não com o passado. Cativamos eles, e em 2014 agregamos os eleitores tradicionais da oposição Jackista e inclusive um contingente de eleitores que um dia votaram com o grupo Sarney. É só fazer uma conta simples, nunca a oposição chegou a 64%. Chegamos nesse patamar porque também soubemos dialogar com esses eleitores “ex-Sarney”. Nosso sucesso em 2014 deveu-se ao posicionamento novo que construímos em 2010. Flávio não é o anti-Sarney, ele é o símbolo da era pós-Sarney.

Ao fim do período eleitoral, qual o saldo de imagem da campanha ficará para Flávio Dino? Que implicações isso traz para o próximo governador?

Flávio Dino é um político com extrema capacidade de liderança, competência, próximo das pessoas, indignado com as injustiças. A campanha mostrou Flávio como ele efetivamente é, a sua essência. Uma de nossas vantagens nessa campanha é que não era preciso maquiar nada, era preciso só contar a verdade. Até a fé cristã de Flávio, que especularam ser uma “jogada de marketing”, é absolutamente profunda. Quem convive com ele sabe disso. E ela que estrutura os valores de sua visão de mundo. Como governador, o seu desafio é continuar sendo exatamente o que ele é, e o que apresentou na campanha. Não tenho dúvida que o será.

Qual foi a maior preocupação da comunicação de Flávio Dino ao longo do pleito?

Estrategicamente tínhamos a pauta dos 50 anos como a grande questão da eleição, fazer os eleitores conhecerem Flávio Dino e marcar com clareza a nossa agenda de propostas. A crítica deveria ser feita num tom emotivo e alegre. Peças como a “carta aos maranhenses”, o comercial “torcidas”, e o “monarquia” (aquela em um mordomo sai pelas ruas “coroando” o povo) foram construções magistrais da nossa competente equipe de criação, são marcos no marketing político. Nosso desafio era fazer uma campanha à altura da liderança e do sentimento que emanava em torno do Flávio. Atravessar uma campanha inteira mantendo uma intenção de votos altíssima como a de Flávio Dino é muito difícil. Mas conseguimos.

Noticiário ligado à família Sarney teceu, durante a campanha, várias críticas à estratégia de comunicação de Fávio Dino, chegando a apontar crises internas. Isso existiu?

Demos muitas risadas nesse dia. Dizer que havia estratégia errada e crise na campanha com 30 pontos de vantagem foi uma piada. Será que eles acreditam no que escrevem? Muitos analistas ligados ao grupo Sarney, ou as fontes dessas fofocas, não entenderam nada do que aconteceu até agora. Disseram que o “ponto fraco” do Flávio era a sua presença no vídeo, quando isso era um ponto alto do programa. Flávio só transmitia sensações boas, uma das mais fortes era a humildade de ir a casa das pessoas e conversar. Os programas do Lobão Filho que eles mais elogiavam, aqueles que atacavam as Prefeituras ou xingavam o Flávio de todos os adjetivos possíveis, foram justamente os que cristalizaram a sua rejeição e sepultaram suas chances de crescer um pouco. Sem falar nas análises de pesquisas: o Flávio estava sempre em “viés de baixa” e o Lobão próximo do “empate técnico”. Esses “prognósticos” não se confirmaram.

Mas não existe nenhuma campanha eleitoral sem crise. Qual foi o maior problema enfrentado pela campanha dinista em 2014?

Na comunicação não tivemos nenhuma crise. Quando depois de dez dias de TV vimos que Flávio tinha crescido, e que Lobão estava estagnado e com rejeição em alta, sabíamos que a estratégia estava aprumada, no rumo certo. Além disso, na rua sentíamos que os 60% do Flávio eram reais, não eram uma “bolha” ou algo assim. Tivemos preocupações, isso sim, principalmente que acabassem fabricando um novo “Reis Pacheco”. O nosso dia mais tenso foi quando surgiu aquela montagem bizarra, do vídeo com um presidiário acusando o Flávio de ser chefe de quadrilha de assalto a banco. Um verdadeiro absurdo. Eu conto aqui no Rio Grande do Sul e ninguém acredita nessa sandice. Mas soubemos enfrentar bem o fato, no campo político, jurídico e na comunicação.

Na sua avaliação, o império dos Sarney chegou ao fim?

O grupo Sarney como força política continua existindo, claro. Vai se articular, disputar novas eleições. Mas a era Sarney acabou no sentido do amadurecimento político do eleitor maranhense. Essa era aliás já havia acabado antes da campanha em razão de um amadurecimento da sociedade, e também por isso vencemos a eleição. A elite política tradicional do Maranhão não percebeu que o eleitor maranhense mudou, tem mais discernimento político, não acredita em qualquer coisa, tem mais opinião. Achavam que na hora da eleição iam inventar alguma mentira, criar propostas mirabolantes, comprar votos e a vantagem de Flávio seria desfeita. O Maranhão não é mais assim. As nossas pesquisas no interior, com pessoas humildes, mostraram um eleitor muito politizado, sabia quem era quem e o que estava em jogo. Jamais iria acreditar por exemplo que o Lobão Filho não fazia parte do grupo Sarney.

7 Comnetários

  1. Leo Lasan disse:

    Faltou destacar o grande papel dos blogueiros, assim como aconteceu com Barack Obama nos EUA. O Marrapá e muitos blogs do Maranhão tiveram em cada município, a exemplo de Paraibano-MA um papel relevante, pois cada eleitor em sua cidade tinham nesses blogs um porta voz que não seguiram os factóides dos Sarneys e lutaram também contra prefeitos e líderes que os quiseram calar. Aos blogs e blogueiros nossos parabéns. A imprensa ainda continua sendo um forte poder. Flávio Dino sabe disso é só fazer uma pesquisa e vai se observar isso.

  2. antonio disse:

    O trabalho de formigas desmistificando as palhaçadas publicadas em jornais e meios de comunicação pela imprensa marrom contribuiu pra reforçar a nossa fala e nosso objetivo de vencer e supera-los e conseguimos e vamos ficar vigilantes diante das maracutaias que por certo virão.Sabemos que o poder pra esses crapulas e questão de sobrevivencia é preciso limpar essas prefeituras de tas quadrilhas instaladas nos nossos rincões e colocar homens respeitaveis e imbuidos de eticas e usem os recursos em proveito dos nossos nativos desasistidos e nãoem beneficio proprio onde a miseria grassa e os poderes constituidos façam valer a lei pra todos indistintamente e a derrubada das cercas dos campos e dos babaçuais onde se cobra o uso como se fossem propiedades particulares!!! QUE SEJA NOSSA bANDEIRA DE lUTA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  3. Pedro Barros disse:

    Pois é… agora todo mundo sabe de tudo. É muito bom isso. Mas, esse rapaz, o Coberlinni, é muito bom. Pode-se ver isso em sua entrevista. O que ele falou sobre Flávio Dino, suas estratégias utilizadas em campanha, tudo foi muito bom. Mas,…não fora o sofrimento por que vem passando o povo do Maranhão, decorrente do desmando e falta de compromisso dos governantes com a população, a espontaneidade e empatia de Flávio Dino com o eleitorado, o trabalho incansável de todas as lideranças políticas e principalmente a independência mental desse povo bom do Maranhão, o resultado não teria sido tão bom para todos. O povo se cansou de tudo. Falta de Segurança, falta de Saúde, setor produtivo abaladíssimo, escândalos em todos as esferas administrativas, mentiras…isso tudo favoreceu nossas candidaturas. Poderia resumir dizendo que a vitória foi da esperança de cada um de nós. De cada um de nós, porque o eleitor simples, aquele que só tem seu voto, foi pras frentes de combate. Foi dizer a quem quisesse ouvir, que era chegada a hora de mudar. Mudar tudo. Governador, Senador, Deputados Federais e Estaduais -(muitos deles). Mas temos que fazer a limpeza completa, o reparo das máquinas tem que ser completo. Ainda nos falta trocar a peça principal – a Presidenta. Sem isso as sincronizações se tornarão impossíveis. Precisamos eleger Aécio Neves. Esse, tenho certeza, não perseguirá Flávio Dino. Caso se eleja Dilma, as estruturas federais continuarão nas mãos dos derrotados. E isso é péssimo, porque o poder central continuará oxigenando a quem já está sufocado, mas não morreu ainda. Falta, portanto, o tiro de misericórdia: falta o PT vestir-se de preto.

    1. JOSÉ CARLOS MELLO D'AVILA disse:

      CARO PEDRO, concordo com quase tudo que escrevestes, mas discordo completamente quando, ao final do mesmo, indicas o Aécio Neves como a melhor saída para a Presidência do País. Independentemente de gostar ou não da Dilma e do PT, o que estamos enfrentando agora, neste segundo turno é a batalha ideológica da DIREITA X ESQUERDA. E, convenhamos, depois de 500 anos de “direita” neste País, causando o estrago que já causou, é imperioso que não permitamos que um de seus representantes, o Aécio, venha a assumir e “melar” tudo de novo. BASTA!!!

  4. JOSÉ CARLOS MELLO D'AVILA disse:

    A vitória da esquerda maranhense foi, sem dúvida, a mais significativa de todas que ocorreram nesta eleições no Brasil. Ela foi acachapante e colocou a turma indigesta de Sarney & Cia no fundo do poço. Que maravilha!. Pensei que iria morrer sem ver isso; Deus foi bondoso comigo e permitiu que eu pudesse gozar deste momento histórico. JULIANO CORBELLINI, meu sobrinho e afilhado, já sei de muito tempo, é o mais qualificado marketeiro político deste País. Seu sucesso junto com o governador eleito não me surpreende…me deixa feliz! PARABÉNS ao querido povo maranhense que soube escolher o melhor. A felicidade começa agora…logo em seguidinha!!!

  5. Pedro Barros disse:

    Caro José Carlos,
    A batalha não é de Direita e Esquerda – não é apenas ideológica. É uma batalha de enfrentamento de maus comportamentos e procedimentos incorretos. Não podemos mais nos alienar a ideias éticas, enquanto as práticas se contrapõem a elas. Isso é hipocrisia na essência da palavra. Esse povo da esquerda está todo rico e continua pregando a discriminação das minorias. Pior que isso é incluírem-se nessa classe, enquanto, socialmente e financeiramente estão entre os mais seletos e abastados. Pior ainda, essa distinção decorreu do aproveitamento indevido de recursos destinados à melhoria de vida de quem continua na miséria. Estão aí os exemplos: mensalões, propinoduto, Petrobras e outras cossitas mas. Já votei muito no PT, mas houve muito desvio de conduta moral nesses 12 anos de PT. A elite ideológica deveria sim, declarar guerra a esse povo mesquinho, miserável que vem enriquecendo às custas desses brasileiros que se contentam com o bocado sobejo de quem já foi miserável também. Desculpe a franqueza, mas como disse: CHEGA!!!

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